Aula invertida não é modinha pedagógica – é autonomia

por: Débora Aquino

Você já deve ter ouvido falar em ensino híbrido e sala de aula invertida e pode estar se perguntando: ” Será que esta é mais uma daquelas modas que vão tentar nos fazer engolir?”

 

Antes de mais nada gostaria de lembrar um fato contra o qual não adianta lamentar : O mundo mudou e continua mudando em uma velocidade cada vez maior. Basta lembrar que na década de 90 com o surgimento da internet (www) a informação antes restrita a livros , professores e escolas se tornou disponível e de livre acesso a todos.

 

Novas tecnologias são inventadas e estão cada vez mais substituindo funções automatizadas antes realizadas por humanos (vale lembrar -alunos copiando um texto do quadro).

 

Então se seu aluno algum dia quiser tirar uma foto do conteúdo escrito no quadro, não se surpreenda. Ele só está agindo naturalmente como o mundo é : prático e sem tempo a perder com tarefas automáticas. Um texto pode ser facilmente enviado a eles por e-mail deixando o tempo da aula disponível para discussões, aprofundamentos e uma coisa linda: ouvir os alunos.

 

Aí você me pergunta: “Mas e se ele não ler o texto que enviei ?”

 

Para que o aluno leia seu texto , veja uma vídeo aula ou um documentário sugerido por você , é necessário que o professor saiba mais do que escrever um texto no quadro para ser copiado. É necessário que ele saiba inspirar. Que saiba deixar claro a relevância da “tarefa” a ser realizada em casa.

 

A aula invertida nada mais é do que uma prévia do que será discutido em sala. Não dá pra controlar ou fiscalizar quem assistiu, leu o texto ou não. O que dá e deve ser feito é criar o engajamento necessário para que o aluno o faça. Ser professor hoje não diz respeito a impor tarefas sem significado e cobrar na prova. Ser professor hoje é inspirar, despertar para o novo e desafiar o potencial do aluno. Qual é o mérito em fazer 30 alunos copiar um texto, ou fazer uma série de exercícios irrelevantes por coerção? A serviço de que ? Do conhecimento que não pode ser…

 

Quando o aluno pesquisa, assiste um vídeo sugerido e instigado pelo professor, ele consegue participar mais ativamente do momento coletivo em sala de aula desenvolvendo autonomia e autoconfiança.

 

O momento em sala não fica um monólogo onde só o professor fala. Os alunos se percebem capazes de aprender de várias formas e rompem a dependência. Porque educar é isso, promover a autonomia, a liberdade.

 

Aquele professor que gosta de se sentir o “sabe tudo” não tem mais espaço, foi ultrapassado por um futuro que já chegou e não temos como ignorar.

 

A tecnologia existe para facilitar o aprendizado, e a vida em si. Temos agora o tempo antes gasto em cópias tediosas para trocar ideias, criar, tirar dúvidas e ouvir uns aos outros.

 

Vamos aproveitar isso?

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