Aprender é natural – Como descobrir a fórmula de aprendizagem individual

por: Débora Aquino

Aprender é natural do ser humano. Todos nós aprendemos coisas complexas o tempo todo. A questão não é saber o quanto cada um é esperto, mas como cada um é esperto.

 

Perguntar às crianças como gostam de aprender as coisas pode ser um caminho. Tentar descobrir a lógica da construção de conhecimento de cada um no processo de aprender dá indícios de como o professor deve agir respeitando e mais do que isso, aproveitando e valorizando a sabedoria de cada aluno.

 

Na verdade os alunos é que devem ser os verdadeiros professores. Quando deixamos cada um nos ensinar de que realmente precisam para aprender. É nossa responsabilidade encontrar recursos necessários, ajudar no desenvolvimento de habilidades e proporcionando um ambiente de incentivo. A escola por vezes nos ensina a agir de maneira sofisticada, repetindo coisas, sendo todos iguais, fingindo ser espertos, quando sabemos que o que necessitamos na vida é outra coisa.

 

Nos acostumamos a apenas repetir exercícios condicionados sem compreender as razões. A palavra exercício vem do latim, e significa “manter-se ocupado”, o que hoje em dia não faz muito sentido. Há muita coisa pra criar, descobrir. O aprendizado precisa ser significativo e oferecer respostas reais à vida. Mas como respeitar e encontrar essa fórmula de aprendizagem individual?

 

 

Quando penso em algo novo que aprendi com sucesso, tento analisar o que fiz de diferente ou especial para que aprendesse com eficiência… O que me vem em mente é que quando tenho em mãos os recursos suficientes, liberdade e flexibilidade de adaptar ao meu próprio jeito, permissão para errar, tentar e criar, o resultado é sempre satisfatório.

 

O contrário também pode acontecer…

 

Uma vez fui aprender a dirigir e o carro tinha um painel muito alto, eu não conseguia ter uma boa visão, e isto era importante pra mim. Mas era o que eu tinha em mãos… Um carro fora dos meus padrões de aprendizado e um instrutor arrogante. Desisti.

 

Te convido a tentar se recordar de algumas situações onde você por algum motivo aprendeu (ou tentou) algo novo. Analise o background, tente descobrir que elementos determinaram o sucesso ou a desistência. Tente identificar o que te ajuda a ter sucesso no aprendizado. As variações podem ser inúmeras: linguagem adequada, apoio, recursos disponíveis, tempo de qualidade, tranquilidade, liberdade…

 

Precisamos aprender a honrar nossas habilidades e dos nossos alunos. Deixa-los livres para buscar o próprio conhecimento da maneira mais eficiente possível. E eficiente pra um, não é eficiente pra outro. Cada um tem seu jeito, e é nosso papel ajudar a cada um identificar o seu melhor caminho. Sei que o que vem em mente agora é: “Como fazer isto em uma sala lotada?”

 

Parece difícil, mas nós é que tornamos difícil quando centralizamos toda a atenção no professor. Como se o aluno não tivesse ou pudesse desenvolver a habilidade de pesquisa, descoberta, questionamento. Queremos oferecer a “matéria” pronta, explicada, resumida no quadro. Sabe o que acontece? Perde a graça. O bom de aprender é descobrir, investigar.
Oferecer um roteiro de pesquisa pode ser uma ótima opção. O professor estará lá para dar o suporte, ajudar a esclarecer o que estiver travado, promover diálogos. Vai ter o aluno que se concentra melhor sozinho, o que gosta de trocar ideias, o que te chama o tempo todo porque gosta de ouvir…Tudo isso é possível hoje mesmo em qualquer escola, desde que os professores compreendam que os alunos são capazes de aprender por seus próprios caminhos.
Toda escola inovadora que conhecemos hoje no Brasil, está atuando dentro das leis vigentes e do tal “sistema” que costumamos criticar. Não estou falando em perfeição, estou falando em optar pelo caminho mais efetivo e se libertar de amarras imaginárias.
Temos sim, fatores agravantes como currículo inchado, a entrada na universidade, mas que ao verificar o desenvolvimento de alunos que puderam crescer em escolas “alternativas”, dessas que buscam desenvolver a autonomia e o protagonismo do aluno, vemos que a habilidade de pesquisa, argumentação e construção do próprio conhecimento superam anos de repetição e decoreba em métodos tradicionais.
É claro que estou falando de escolas sérias, com profissionais competentes e comprometidos. O professor faz toda a diferença. Ele é o maestro que articula os movimentos. Quem desenvolve a habilidade e conhecimento são os músicos, no caso, os alunos.
Por que não experimentar um caminho diferente daquele que não está dando certo?
Leia livros, busque ajuda, inspiração. Aprender o novo exige coragem !
Deixo uma lista de livros excelentes que podem te ajudar:

 

1- Um mundo, uma escola – Salman Khan
2- Ensino híbrido – Lílian Bacich
3- O foco triplo – Daniel Goleman e Peter Senge
4- A era da curadoria – M. S. Cortella e G. Dimenstein
5- Mindet – Carol Dwek
6- O natural é ser inteligente – Dawna Markova
7- Creative Schools – Ken Robinson
8- Libertando o poder criativo – Ken Robinson
9- A escola e os desafios contemporâneos – Viviane Mosé

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