Tecnologia para professores e o fim do conflito entre gerações

por: Entretanto

Educadores são inovadores por natureza. Vivendo e trabalhando em um constante estado beta, os professores trazem para a sala de aula um desejo natural de explorar e aprimorar o entendimento de novas práticas e metodologias para apoiar alunos em busca de conhecimento. Guiados por uma necessidade interna de tornar o mundo um lugar melhor e alimentados pelas recompensas de trabalharem diariamente com a juventude que pode criar essa mudança positiva, os professores são parte de uma profissão totalmente diferente de qualquer outra. Dentro de uma sala de aula, em um único dia, um professor pode tornar-se um estudioso, um historiador, um inventor ou um cientista. E, ao longo do tempo, seja em uma sala de aula de um século atrás, ou em uma sala de aula com tecnologia digital avançada, estas características que definem o “professor” permanecem constantes.

Hoje, como cidadãos do nosso mundo digital e global, estamos em um momento extraordinário, onde as divisões estão se encerrando e a colaboração está tornando-se padrão – as diferenças são verdadeiramente comemoradas e as associações estão superando as separações na sociedade. Como educadores, isso altera o que nós, por muito tempo, afirmamos em nossas salas de aula. No entanto, termos divisionistas como “ruptura entre as gerações ” e “exclusão digital” nos colocam em mundos muito distantes dos mundos de nossos alunos. Na realidade, os professores e os alunos estão cada vez mais, falando a mesma linguagem, a linguagem da invenção e do questionamento. Em vez de aderir a concepções de uma divisão por faixa etária na adoção da tecnologia, muitos estão além dos rótulos “imigrantes digitais” e “nativos digitais”.

Isto é ainda mais reforçado pela pesquisa atual, que nos mostra que a adoção da tecnologia na educação tem menos a ver com a idade, pelo contrário, baseia-se mais na exposição e na experiência (Bennett & Moreira, 2010; Bullen, Morgan, & Queiroz, 2011; Guo, Dobson, & Petrina, 2008; Helsper & Eynon, 2010). Em vez de focar em divisões, esta nova evidência nos oferece suporte com inúmeras possibilidades de reunir as gerações, mais jovens e mais velhas, no processo de aprendizagem em nosso mundo através da exploração e da admiração.

Desviar a atenção de um fator fixo da idade, para enfatizar uma proficiência contínua baseada na exposição e na experiência, permite que professores de todas as idades se identifiquem como parte desta era da educação digital. Embora as tecnologias digitais sejam ferramentas no cotidiano de muitos (se não a maioria) de nossos alunos, as maneiras que as tecnologias estão sendo utilizadas por nossos alunos, não são sempre consistentes. Os alunos de hoje – assim como os alunos de gerações anteriores – continuam a precisar da orientação dos professores para encontrar maneiras de aprender e aplicar seus entendimentos de tecnologia, para transmitirem, de forma eficaz, as perspectivas de mundo, influenciar a opinião de outros e contextualizar e sintetizar as informações de uma maneira significativa.

Os professores como inovadores – tanto os jovens e quanto os mais velhos, experientes ou iniciantes na tecnologia – têm dons extraordinários para apresentar aos seus alunos que também estão navegando através de ambientes digitais. Embora exista inúmeras lições para os professores apresentarem a seus alunos, aqui veremos várias lições atemporais que transcendem qualquer geração de ensino. Os professores orientam seus alunos para usarem tecnologias avançadas para…

… serem consumidores críticos.

Atualmente, os alunos de nossas salas de aula são bombardeados com informações o tempo todo. Com pesquisas básicas para adquirir informações, muitas vezes conduzimos nossos alunos à várias direções, a pesquisa tornou-se um processo altamente complexo e sofisticado em todos os níveis . Como resultado, agora podemos ver as práticas de aprendizado mudando suas formas, onde o modelo encontrar as respostas, passa a ser descobrir mais perguntas. Os professores, curadores adeptos de conteúdo, podem orientar seus alunos para que eles possam ser avaliadores e consumidores de informações mais críticos em suas interações com o texto. Com uma cultura de transparência e de compartilhamento, os professores podem dar suporte aos alunos para que possam considera o contexto, a fonte e, por sua vez, argumentar com evidências e construírem o conhecimento de forma eficaz.

… serem criadores de conteúdos de qualidade

Na medida em que as salas de aula evoluem, misturando ambientes de aprendizado com integração de tecnologias perfeitas e práticas de ensino inovadoras, os alunos têm a oportunidade de se transformarem, de participantes passivos no aprendizado, para criadores ativos de conteúdo. Com inúmeras ofertas de ferramentas digitais disponíveis para a criação de conteúdos, os alunos buscam seus professores para obter orientação de como combinar a melhor ferramenta ao melhor propósito comunicativo. Os Professores hábeis na criação de mensagens sintetizadas podem mostrar aos alunos, maneiras de compreender e compor, utilizando combinações de tecnologias digitais. Com uma obrigação menos relevante de apenas ministrar as aulas, o professor torna-se um catalisador para o aprendizado, inspirando seus alunos a trabalharem de forma criativa e colaborativa para que resolvam problemas e respondam às lições instrucionais como produtores de informações.

… manterem foco nas relações

Uma qualidade que define um professor mestre é a capacidade de criar uma comunidade de aprendizagem embasada na empatia e na compreensão. O foco nos relacionamentos destas salas de aula, serve para modelar a importância das alianças e das amizades de valor. Inteligências emocionais, tais como: alegria, honestidade, confiança e respeito, tornam-se ainda mais essenciais, na medida em que nossos alunos continuam a interagir em um mundo de redes altamente diversificadas. O equilíbrio, torna-se também, uma área crítica para discussão, já que os alunos observam e dividem atenção, tempo e reservas socioemocionais, em experiências na tela e experiências em pessoa. Dentro de salas de aula e de espaços de aprendizado digitais que mantém a ênfase na formação de relacionamentos, os professores podem oferecer oportunidades para que seus alunos se desenvolvam através de resoluções de conflitos, trabalhos em equipe, solidariedade e colaboração.

…. serem resilientes em suas iniciativas

Nossos alunos estão imersos em um mundo onde tudo é possível. As tecnologias da era digital capacitam os alunos a acreditarem que: “se você é capaz de sonhar, você é capaz de realizar”. O impossível está ao seu alcance e um espírito de garra e determinação leva as ideias para um lugar de excelência e realização. Através da criação de salas de aula com suporte e foco no aprendiz, os professores podem orientar seus alunos para que possam restringir seus interesses e, finalmente, encontrar suas paixões. Com relevância e propósito autêntico, os professores podem conectar seus alunos ao processo de aprendizado através de design thinking, tentativa e erro – mudando as perspectivas de medo do fracasso, para resiliência e ‘persistência’, conduzindo seus aprendizados para um lugar de descoberta e invenção. E é esta ideia, de posição de questionamento e exploração realizada por alunos e professores, jovens e velhos, que mostra que a grandeza virá do risco. Nós só precisamos estar prontos para tentar.

Referências

Bennett, S. J. & Maton, K. (2010). Beyond the ‘digital natives’ debate: towards a more nuanced understanding of students’ technology experiences. Journal of Computer Assisted Learning, 26(5), 321-331

Bullen, M., Morgan, T. & Qayyum, A. (2011). Digital learners in higher education: generation is not the issue. Canadian Journal of Learning & Technology, 37(1)

Guo, R. X., Dobson, T. & Petrina, S. (2008). Digital natives, digital immigrants: an analysis of age and ICT competency in teacher education. Journal of Educational Computing Research, 38(3), 235–254

Helsper, E. J., & Eynon, R. (2010). Digital natives: Where is the evidence? British Educational Research Journal, 36(3), 503-520

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