A infância e aprendizagem social

por: Entretanto

Ensinar crianças de cinco anos tem sido, em grande parte, um ato mágico. Rimos, dançamos, descobrimos a leitura, contamos histórias… Há tanta alegria no mundo do jardim de infância. Percebo, cada vez mais, o quanto o ambiente escolar é importante para esses pequeninos.

 

E é neste período em que começa a aprendizagem social. Especialistas sobre a educação na chamada “primeira infância” abordam, há anos, o quanto aprendemos a compartilhar, a negociar e a resolver problemas logo nos primeiros anos da vida.

 

Em algumas escolas dos Estados Unidos, utilizamos um método chamado Fix-It Conversations (Conversas para Resolução de Conflitos, em inglês). Ela baseia-se em uma miscelânea de estruturas de resolução de problemas que aprendemos ao longo dos anos, disponíveis através de vários sites, blogs e programas, sobretudo, no formato de “negociações de paz”.

 

Nenhuma dessas estruturas são minhas, são informações compartilhadas por outros professores incríveis que vieram antes de mim. Geralmente, começamos por ensinar as crianças a identificarem o “tamanho” de seu problema. Um problema de “tamanho 1″ inclui coisas como xingamentos, não dividir os brinquedos, importunar os colegas…Já um problema de “tamanho 2” é tudo que envolve agressão física.

 

Um problema de “tamanho 3” é relacionando a eventos que improvavelmente acontecerão em uma escola, como desastres naturais e acidentes de carro. Sim, é um grande salto do problema de “tamanho 2” para um problema de “tamanho 3”, mas isto ajuda os alunos a categorizarem o nível de cada um, afinal, queremos que eles saibam que os dois primeiros tipos de problemas podem ser resolvidos na escola e, em boa parte, pelos próprios alunos.

 

Estas resoluções acontecem da seguinte forma:

 

Um aluno, por exemplo, pega o brinquedo do outro sem consentimento. Eles são convidados a irem para o nosso “cantinho” escolhido para a Fix-It Conversation:

 

Aluno 1:

Eu não gostei (ou Eu me senti mal) quando você pegou meu brinquedo.

Aluno 2:

Ah, você não gostou (ou sentiu-se mal?) quando eu peguei seu brinquedo?

Aluno 1:

Sim (se o aluno dois não repetir corretamente, o aluno um diz que não e tenta novamente.)

Aluno 2:

Eu peguei seu brinquedo porque _.

Aluno 1:

Ah, você pegou meu bloco porque _.

Aluno 2:

Sim (ou não se não for repetido corretamente e o aluno dois tenta novamente.)

Aluno 1 ou aluno 2:

Como podemos consertar este problema?

Vamos fazer um acordo.

Os alunos elaboram um acordo.

Aluno 2:

Eu posso pedir antes de pegar um brinquedo

Aluno 1:

Tudo bem!

(Ou oferece uma outra solução até chegar a um acordo).

 

Os alunos terminam a conversa com um aperto de mão ou um abraço gentil.

 

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Como você pode ver, não é apenas importante para cada aluno expressar as suas preocupações, mas é igualmente importante para cada aluno saber que eles podem ser ouvidos. Pedindo aos alunos para repetir o que o outro disse, eles estarão menos propensos a discutirem sobre o que eles acham que aconteceu.

 

Este é só um exemplo de Fix-It Concersation para o jardim de infância. Em turmas de alunos mais velhos, as conversas são mais comprometidas, mas ainda assim os alunos ainda trabalham para expressarem seus próprios sentimentos e para entendem os sentimentos da outra pessoa. O que temos observado é que o uso da Fix-It Conversation proporcionou um aumento de independência do aluno na resolução de problemas dentro da sala de aula.

 

E como professores, nós também podemos utilizar este recurso!  Temos alguns alunos desafiadores em nossa sala de aula e que, às vezes, “cruzam os braços e batem seus pés”, forma de expressarem como eles se sentem quando recebem uma direção.

 

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É nessa hora que coloco a Fix-It Conversation em ação, pois acredito que ela tem o dom de “esvaziar” os eventuais sentimentos de raiva que surgem.  As crianças sentem-se ouvidas e respeitadas quando nós, como professores, temos as mesmas expectativas que elas, como alunas.

 

Uma boa ideia é filmar alguns destes momentos e exibir os vídeos ao longo de todo o ano,  como uma maneira de reciclar ou compartilhar esta técnica com outras salas de aula. E o mais importante: as Fix-It Conversations estão criando um caminho saudável para quem está em direção à idade adulta.

 

Texto originalmente publicado em Pearson.

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